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Meu querido, eu não amo você. Nunca amei, espero nunca amar. Eu só amo estar com você. Mas o amor passa no momento que você vai embora. E de repente eu odeio você. E me odeio mais ainda. Odeio tudo que você me faz sentir, principalmente porque eu sempre me sinto idiota depois que você se vai. Eu odeio cair na sua de novo, e de novo, e de novo. E é sempre assim. E sempre vai ser. Eu sempre vou cair na sua, no seu jogo. Vou ser seu brinquedo. Mas não se engane meu querido, você também é meu brinquedo. E eu amo brincar. Eu só odeio ser o brinquedo. Eu sempre juro nunca mais ser o brinquedo, e sempre falho. Sempre. No momento em que você me olha, e no momento em que você me toca, e no momento em que você me beija. Eu sempre vou ser seu brinquedo. E você sempre será o meu. Nós amamos brincar. Nós odiamos sermos os brinquedos. Meu querido, eu não amo você. Eu nem mesmo gosto de você. Eu odeio você.
Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia – qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou “quase” certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu “quase” tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor.
Caio F. Abreu
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Caio F. Abreu
E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar.
Caio F. Abreu
Oh, às vezes a gente mata por amor, mas eu juro que um dia a gente esquece, juro!
Clarice Lispector
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Um cachorro não liga se você é rico ou pobre. Esperto ou não. Inteligente ou não. Dê o seu coração e ele dará o dele. De quantas pessoas podemos dizer o mesmo?
John Grogan - Marley e Eu
Claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, e eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca que só umedece com vodca, me passa o cigarro, não, não estou desesperada, não mais do que sempre estive.
Caio F. Abreu
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